Tesoureiro da Loja Maçônica: funções, rotina do mês e prestação de contas
O Tesoureiro é o irmão em quem a Loja deposita uma confiança muito concreta: a do dinheiro de todos. O cargo não exige formação em contabilidade, mas exige método — porque a pergunta que ele precisa responder a qualquer momento é simples e implacável: quanto a Loja tem, de onde veio e para onde foi?
Este guia reúne o que o cargo envolve, a rotina de cada mês e o que precisa ser entregue na passagem. Valores, prazos e regras de aprovação de despesas vêm do Regimento Interno da Loja e do regulamento da Potência.
Do que o Tesoureiro responde
- Receitas da Loja: mensalidades, taxas de iniciação, elevação e exaltação, filiações e as demais cobranças aprovadas.
- Despesas: o pagamento do que foi autorizado — aluguel ou manutenção do Templo, contas, materiais, eventos —, sempre com comprovante.
- Repasses à Potência: a capitação e as demais taxas, nos prazos dela.
- Valores de terceiros: o que os irmãos pagam à Loja para ser repassado, como as cotizações da Potência. Esse dinheiro passa pelo caixa, mas não é da Loja.
- Conta bancária: saldo conferido com o extrato e nenhum valor guardado em casa.
- Adimplência: saber quem está em dia e conduzir os atrasos com discrição.
- Prestação de contas: o balancete apresentado à Loja, com cada lançamento classificado.
A rotina do mês
No começo do mês
- Lançar as mensalidades de todos os obreiros ativos, com o vencimento da Loja.
- Lançar as cobranças avulsas aprovadas em sessão, com as parcelas combinadas.
Ao longo do mês
- Dar baixa nos pagamentos que não entraram automaticamente, sempre com o comprovante.
- Pagar as despesas autorizadas e classificar cada uma no plano de contas.
- Conferir o extrato da conta com os lançamentos, de preferência toda semana.
No fim do mês
- Fechar o balancete: saldo anterior, entradas e saídas por conta, saldo final.
- Conferir o saldo final com o extrato — a diferença tem de ser zero ou ter explicação.
- Apresentar o balancete à Loja e avisar, em particular, quem ficou em atraso.
Tesoureiro, Hospitaleiro e Secretário
O Tronco de Beneficência é recolhido em sessão pelo Hospitaleiro e tem destinação própria: o registro dele fica separado do caixa, na entrada e na saída. O guia do Tronco de Beneficência mostra como registrar e prestar contas desse fundo.
Com o Secretário, o Tesoureiro divide uma lista: o quadro de obreiros. É sobre ele que a capitação é calculada e é dele que sai quem deve mensalidade. Quando Secretaria e Tesouraria trabalham com listas diferentes, a Loja paga capitação de quem já saiu ou cobra mensalidade de quem já faleceu.
Cotizações e capitação: o que é da Loja e o que só passa por ela
Parte do que o irmão paga não pertence à Loja. As cotizações da Potência entram no caixa e saem no repasse; se forem lançadas como receita própria, a Loja parece ter mais dinheiro do que tem. Já a capitação — a taxa per capita que a Loja paga à Potência — é despesa da própria Loja. Um plano de contas que separe as duas coisas resolve isso de uma vez: o plano de contas da Loja Maçônica traz um modelo pronto.
Prestação de contas que gera confiança
- Todo mês, não só no fim da gestão. Balancete mensal acaba com a desconfiança antes que ela comece.
- Cada lançamento classificado. "Diversos" não é conta: é onde a dúvida se esconde.
- Saldo conferido com o extrato. O número apresentado em sessão é o do banco.
- Tronco à parte. Beneficência com saldo próprio, separado do caixa.
- Comprovantes guardados. E, quando o Regimento Interno prevê uma comissão de finanças, as contas examinadas por ela.
A passagem do cargo
A troca de Tesoureiro é o momento de maior risco para as contas da Loja. Uma passagem que funciona entrega:
- Saldo na data da posse, conferido com o extrato e assinado pelos dois Tesoureiros.
- Comprovantes da gestão, organizados por mês.
- Lista do que está em aberto: mensalidades e cobranças a receber, contas a pagar, repasses pendentes à Potência.
- Saldo do Tronco, separado.
- A troca de quem movimenta a conta no banco, com a documentação que o banco pedir — em geral, a ata de eleição e posse.
- Os acessos transferidos: internet banking, conta de recebimentos e sistema de gestão. Nada de senha compartilhada.
Como o sistema ajuda
- Mensalidades em lote, para todos os obreiros ativos, com um clique.
- Cobranças avulsas em até 24 parcelas, para iniciações, elevações, exaltações e eventos.
- Pix e cartão pelo celular do irmão, com o valor caindo direto na conta da Loja e a baixa automática.
- Modo Manual para quem cobra por fora, com baixa feita pelo Tesoureiro.
- Adimplência com aviso individual por e-mail ou WhatsApp, sem expor ninguém em sessão.
- Plano de contas, balancete e Tronco separado, prontos para a prestação de contas.
- Auditoria: quem lançou, editou ou excluiu cada movimento, e quando; editar ou excluir uma cobrança exige um motivo.
A página de software de tesouraria maçônica mostra cada recurso. Para a rotina completa da Tesouraria, veja como organizar a Tesouraria, e, para os atrasos, o guia de inadimplência na Loja.
Em resumo
O bom Tesoureiro não é o que sabe mais contabilidade: é o que consegue mostrar, a qualquer irmão e a qualquer momento, de onde veio e para onde foi cada valor. Rotina mensal, Tronco à parte, saldo igual ao do banco e uma passagem bem feita — o resto é consequência.
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